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13 de agosto: Dia do Psiquiatra

Tão importante quanto a saúde física é a saúde mental. Embora não conseguimos enxergá-la a olho nu, os danos são tão intensos e grandiosos quanto lesões visíveis. 

Por muitos anos taxado como o médico dos loucos, o trabalho do psiquiatra vai muito além desse estereótipo. Mesmo sem o glamour e o reconhecimento merecidos, esses profissionais realizam um trabalho fundamental para a promoção da saúde na sociedade. 

Por isso, neste Dia do Psiquiatra, trazemos a fala do Dr. Ricardo Gobbato, psiquiatra do CASF, explicando sobre o trabalho fundamental para a promoção da saúde exercido por esses profissionais.

O Dia do Psiquiatra está chegando e é importante fazermos algumas reflexões: será que as pessoas ainda têm muito medo de ter que recorrer às medicações psiquiátricas?

Percebo, no meu dia-a-dia de consultório que há um paradoxo: parece que os indivíduos estão usando cada vez mais medicações psiquiátricas, mas, na maioria das vezes, prescritas por clínicos ou colegas de outras especialidades.

Acredito que ainda existe aquele pensamento antigo: “ah Psiquiatra é coisa pra louco...” Isso não chega a me causar espanto: como havia e ainda há uma carência de psiquiatras pelo país era (e ainda é) comum essa prescrição vinda de outros colegas. A consequência disso é que, casos que poderiam ser resolvidos de forma mais rápida pelo psiquiatra, podem demorar muito tempo para melhorar quando tratado por um profissional não especialista da área.

Ainda assim, percebo que alguns pacientes têm certo medo ou receio de usar medicações psiquiátricas (principalmente relacionado a questão do “viciar”, possíveis reações adversas e querer sair daquela situação incômoda “no peito e na raça”).

Gostaria de abordar essas três questões: a do “viciar” primeiramente. Quando o paciente me pergunta isso gosto de dar exemplo de doenças clínicas. O hipotireoidismo, por exemplo, quando não tratado pode causar sintomas muito semelhantes com os que ocorrem na depressão. Essa patologia é causada pela baixa atividade da tireóide que faz com que ela produza menos hormônios do que o esperado. É necessária a reposição hormonal com medicamentos para que essa glândula volte a funcionar normalmente.

O paciente compreende facilmente e, na maioria das vezes, segue corretamente o tratamento. Mas um dos fatos, sem dúvida alguma, que melhora essa aderência é que essa é a grande maioria das patologias clínicas aparecem nos exames. Já as doenças psiquiátricas são sentidas, vivenciadas pelos pacientes, mas só aparecem através da entrevista do médico com o paciente e/ou familiares.

Explico que o cérebro está com falta de algum tipo de “vitamina” (para não entrar em termos muitos técnicos) e que essa precisa ser reposta através do medicamento. E o tempo do tratamento vai variar conforme o paciente, a patologia, o grau de adesão e outros fatores. Não é questão de estar viciado no medicamento, mas saber que o cérebro necessita naquele momento daquela ajuda extra.

Com relação às reações adversas: hoje em dia as medicações psiquiátricas estão cada vez mais seguras, mas algum tipo de reação até pode ocorrer (mais no início do tratamento e depois vai melhorando). E a última questão é a daquele paciente com certo receio de usar o remédio e que julga que consegue vencer sozinho a batalha”. Esses, muitas vezes, são os quadros mais complicados e perigosos. Pego novamente o exemplo da depressão: o paciente pode evoluir de um quadro leve rapidamente para um quadro grave e que, infelizmente em algumas situações, pode ter um desfecho ainda mais traumático: o suicídio.

Outro ponto que gostaria de abordar é o preconceito que muitas pessoas que necessitam usar medicações psiquiátricas ainda sofrem. Considero essa “psicofobia” algo muito desumano, desrespeitoso. Não tem como novamente não me reportar à depressão. Essa já é a primeira causa de afastamento no trabalho no mundo todo. E é muitas vezes em entrevistas de emprego que pessoas muito capacitadas acabam perdendo oportunidades de trabalho quando alguém vinculado ao empregador fica sabendo que essa faz uso de medicação psiquiátrica. E não podemos esquecer do ponto que, para mim, é o mais importante e alarmante: a depressão é a principal causa de suicídio. Ser contra e ter preconceito com pessoas que fazem um uso correto de medicações psiquiátricas é, em muitas vezes, ser contra a vida.

Acho importante que as pessoas possam tomar consciência disso e que ocorra mais respeito com aqueles indivíduos que necessitam recorrer a esse tipo de recurso.

Dr. Ricardo Orso Gobbato

Médico Psiquiatra no Centro Clínico CASF

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